Diretor da RSSN alerta para riscos da doença esquistossomose se tornar endémica

Workshop Calheta1 O diretor da Região Sanitária Santiago Norte (RSSN) alertou esta quinta-feira, 13 de Março, para os riscos de a doença esquistossomose, que surgiu em 2022 em São Miguel, se tornar endémica se todos os intervenientes não se envolverem e tomarem medidas asertivas.

João Baptista Semedo falava no acto da abertura do workshop sobre esquistossomose, que decorre de hoje a sexta-feira, 14, no Salão Nobre da Câmara Municipal de São Miguel com participação de técnicos e profissionais da saúde dos seis concelhos que compõem a região, técnicos e investigadores da área de saúde humana, ambiental e animal, e líderes comunitários.

“Se não fizermos algo, há riscos de esta doença nova se tornar endémica”, alertou, propondo “junção de esforços” entre as autoridades sanitárias, edilidade, pessoas ligadas ao ambiente e à educação e a própria população para se evitar que esta doença infeciosa se impregnar na sociedade.

O responsável lembrou que em 05 de Maio de 2022, foi reportada pela primeira vez no país, a presença de ‘Schistosoma haematobium’ na urina de um utente, o que desencadeou uma investigação, com o objectivo de confirmar o diagnóstico, caracterizar o surto, identificar a forma de transmissão e recomendar medidas para prevenção e controlo.

Ou seja, ajuntou que, desde o aparecimento dos primeiros casos confirmados de esquistossomose as estruturas de saúde do município de São Miguel continuaram a reportar e a confirmar casos novos, sendo que somente em Janeiro deste ano já foram confirmados 12 casos novos.

Sobre o encontro, disse que o mesmo realizado em parceria com Instituto Nacional da Saúde Pública (INSP) e edilidade micaelense tem como objectivo analisar a situação epidemiológica relativo a esta doença em São Miguel e Cabo Verde, apresentar os estudos produzidos até agora sobre a doença, e traçar um plano de intervenção com intuito de controlá-la e eliminá-la tanto neste concelho como no país.

A organização, segundo ele, pretende com este evento técnico ter profissionais de saúde com maior nível de conhecimento sobre a doença esquistossomose, alcançar maior engajamento dos intervenientes que irão desenvolver acções no terreno.

Espera-se ainda que saia um conjunto de recomendações técnicas que serão implementadas com vista a alcançar um bom controlo e eliminação da doença no município de São Miguel e de Cabo Verde.

No evento vão ser abordados temas como o agente causal, os tipos a que está a provocar o surto em São Miguel, as vias de transmissão, o ciclo de vida do parasita, o diagnóstico, o tratamento e as medidas de prevenção e controlo da doença, entre outros.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera que aproximadamente 90% das pessoas que precisam de tratamento para esquistossomose vivem no continente Africano. Cabo Verde é um país localizado na África Ocidental, e até então não havia relatos da doença.

A esquistossomose, também conhecida como ‘bilharzíase’ é uma doença parasitária causada por vermes do género esquistossomose, e, é uma das doenças tropicais negligenciadas mais comuns, afectando milhões de pessoas em regiões tropicais e subtropicais, especialmente em áreas com saneamento básico precário e contato frequente com água doce contaminada.

Intervieram também no acto da abertura do workshop o administrador executivo do INSP, Hélio Rocha, e vereadora responsável pela área da Saúde da Câmara Municipal de São Miguel, Cesaltina Ribeiro.